Noite da Alma - Booktrailer

domingo, 15 de janeiro de 2012

Noite da Alma - Um Olhar sobre a Simbologia I (Cap 1 - Cap 10)

Noite da Alma

- Um Olhar sobre a Simbologia I -

(Prefácio - Cap 10)


Para quem já teve a oportunidade de o abrir, certamente reparou que o Livro 'Noite da Alma' inicia cada um dos seus capítulos com a apresentação de um Símbolo Mágico. Estes Símbolos encontram-se fortemente ligados com os acontecimentos principais de cada capítulo, pretendendo-se que sejam a representação gráfica do ponto-chave ou da sensação global de cada uma das etapas da história.

Mas o que significam, na verdade, todos aqueles Símbolos?

Eis, então, o meu Dicionário de Símbolos ^_^


* Prefácio
– Símbolo: O Pentagrama


Este é um símbolo que data de há cerca de 3000 anos a.C., surgindo em escritos encontrados na Mesopotâmia.
Um pentagrama (do grego antigo πεντάγραμμος) é uma estrela composta por cinco rectas e cinco pontas. Trata-se de uma figura geométrica, dotada de vários significados, de acordo com as culturas e as épocas históricas da Humanidade.
Actualmente, os cinco vértices encontram-se, muitas vezes, associados aos cinco elementos:
- ύδωρ Hydor: Água
- Γαια Gaia: Terra
- ίδέα Idea ou ίερόν Hieron: “a Partícula Divina” ou Espírito
- έιλή Heile: Fogo
- άήρ Era: Ar
Muitas vezes, simboliza também os cinco sentidos ou as cinco chagas de Jesus Cristo, pelo que pode ser visto como um talismã de protecção contra demónios.
Como represente dos 5 elementos, o pentagrama é utilizado, habitualmente, em cerimónias de evocação dos espíritos elementais dos quatro quadrantes (direcções cardinais) no início de um ritual. Esta evocação tem como objectivo estabelecer uma ‘barreira’ protectora em torno dos participantes. O círculo que muitas vezes circunscreve o pentagrama é visto como a união harmoniosa dos 5 elementos.
O Pentagrama por si só expressa o domínio do Espírito sobre os Elementos da Natureza (a base da Magia), pelo que ao signo do Pentagrama chama-se igualmente Signo do Microcosmo, representando o que os rabinos cabalistas do Livro do Zohar (complemento místico do Torah, os cinco livros de Moisés) denominavam de Microprosopio.

Para informações mais detalhadas: AQUI e AQUI

è Ponte com ‘Noite da Alma’: Nenhuma em especial. Apenas que o Pentagrama é um dos meus Símbolos de Magia preferidos, pelo que o escolhi para a abertura do meu livro.



* Capítulo Primeiro
- Símbolo: Enxofre


É o símbolo alquímico do Enxofre, que é análogo à Alma Humana. Na Alquimia, o Enxofre representa o masculino, o quente e o seco, que complementa o Mercúrio (feminino, frio e húmido). Estes dois elementos eram considerados os pais de todos os metais.
Este símbolo é, ainda, utilizado por muitos seguidores de cultos satânicos, devido à sua adopção como emblema do Satanismo por Anton LaVey.
è Ponte com ‘Noite da Alma’: A Evocação de Gabriel



* Capítulo Segundo
- Símbolo: Triquetra


A Triquetra é um símbolo tripartido composto por três Vesica Pisces entrelaçados, marcando assim a intercepção de três círculos.
Para os Cristãos é tido como o símbolo da Santa Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo), e por vezes visto como três peixes entrelaçados.
No entanto, a Triquetra é um símbolo com origens muito anteriores à Era Cristã, tendo sido utilizado pelo Celtas, como símbolo da Deusa (as três facetas da Deusa: Virgem, Mãe e Anciã), e pelos povos Vikings, como símbolo do Deus Odin.
Simboliza, ainda, as três facetas do Ser Humano em equilíbrio (Mente, Corpo e Alma), bem como, de acordo com as lendas celtas, os três domínios da Terra: terra, mar e céu.
è Ponte com ‘Noite da Alma’: Tentando manter o equilíbrio que ameaça ser destruído.



* Capítulo Terceiro
- Símbolo: Suástica


A Suástica é uma das expressões da Cruz Solar, com os braços dobrados em ângulos rectos, simbolizando uma espiral ou o movimento rotacional.
O nome Suástica tem origem no Sânscrito, derivando de ‘su’, bem, e ‘vasti’, ser, formando ‘bem ser’ ou ‘bem-estar’.
Na Índia era usado como um talismã de boa sorte e fertilidade. Assim, caso a Suástica girasse para a direita, simbolizava o sol e a energia positiva, associada a Ganesh, Deus da prosperidade e da Saúde. Caso girasse para a esquerda, simbolizava as forças da escuridão da Deusa Kali. Juntos são vistos como um símbolo semelhante ao Yin-Yang.
è Ponte com ‘Noite da Alma’: O início da mudança. Colocando em movimento…



* Capítulo Quarto
- Símbolo: O Homem no Labirinto


Este símbolo representa a viagem do Ser Humano, através da vida. Embora o desenho pareça um labirinto é, na verdade, um único percurso, com muitas curvas e viragens, as quais representam as escolhas que fazemos na nossa vida. O Centro é negro, visto que a viagem deverá ser feita da escuridão para a luz.
è Ponte com ‘Noite da Alma’: Mari toma uma decisão-chave: aceitar o inevitável, e inicia o caminho que lhe foi destinado (o único caminho existente).



* Capítulo Quinto
- Símbolo: Ampulheta


A Ampulheta é um dos símbolos mais comuns do Tempo, embora prenda, no seu interior, a promessa da Vida, visto ser reversível (pode ser invertida e o tempo volta ao início). Por esse motivo, encontra-se muitas vezes associada á ressurreição, principalmente por entre as Ordens dos Freemasons e Rosacrucianos.
è Ponte com ‘Noite da Alma’: Marca o passar do tempo em que uma nova rotina se instala.



* Capítulo Sexto
        - Símbolo: Cruz Solar (Cruz de Odin, a Roda de Taranis)


A Cruz Solar é, provavelmente, um dos símbolos espirituais mais antigos do mundo, surgindo um pouco por todo o lado - Ásia, América, Europa e Índia - desde o início da História da Humanidade.
Composto por uma cruz equilátera encerrada no interior de um círculo, representa o calendário solar: os movimentos do sol, marcando os solstícios. Por vezes, os equinócios também eram marcados, formando uma cruz de oito braços.
No budismo é conhecida como a Roda da Vida, Roda de Samsara, (perambulação) que determina o fluxo incessante de renascimentos através dos mundos.
è Ponte com ‘Noite da Alma’: O renascer inconsciente dos sentimentos existentes entre Mari e Michael.



* Capítulo Sétimo
- Símbolo: O Olho de Horus e o Olho de Ra (Udjat e Wedjat)




O olho direito representa o Sol, encontrando-se associado ao Deus Ra.
O olho esquerdo representa a Lua e o Deus Toth. De acordo com a lenda, Seth arrancou o olho esquerdo a Horus, o qual lhe foi restituído através de artes mágicas por Thoth, Deus da Magia. Depois de o recuperar, algumas histórias dizem que Horus ofereceu o seu olho a Osíris, o que permitiu que esta divindade solar passasse a reinar sobre o submundo.
Os dois olhos juntos representam a Unidade Universal, semelhante ao conceito Taoista do Yin-Yang.
A nível espiritual, o olho direito reflecte o sol, a energia masculina a razão e a matemática. Por outro lado, o olho esquerdo encontra-se associado ao fluido, ao feminino, à energia lunar, à intuição e à magia. Juntos representam o poder transcendente.
No passado acreditava-se que o Olho de Horus era dotado de poderes de cura e protecção, sendo usado como amuleto de protecção e como instrumento medicinal, usando-se as proporções matemáticas do olho para se preparar poções e medicamentos.
è Ponte com ‘Noite da Alma’: O primeiro choque entre a luz e as trevas, entre a lua e o sol, entre o bem e o mal. Por outro lado, a atracção entre as trevas e a luz.



* Capítulo Oitavo
- Símbolo: O Caçador de Sonhos


O que conhecemos actualmente como ubiquitous, "Caçador de Sonhos", era, originalmente, um talismã pequeno, feito de madeira de salgueiro, a qual era dobrada num círculo posteriormente preenchido por uma rede de fibras de plantas de modo a parecer-se com a teia de uma aranha.
Os primeiros Caçadores de Sonhos foram feitos pelos Ojibwa (Chippewa) e eram usados como talismãs de protecção para as crianças. Assim, a ‘teia de aranha’ prenderia no seu interior os espíritos negativos, causadores de doenças e pesadelos, protegendo as crianças. A negatividade apanhada na teia seria destruída pelo nascer do sol. De acordo com a maioria das fontes, os Caçadores de Sonhos originais eram feitos em honra de Asibikaasi, ou Aranha-mulher, cujas teias mágicas tinham o poder de prender o sol.
è Ponte com ‘Noite da Alma’: O sonho acordado do dia passado na companhia de Michael.



* Capítulo Nono
- Símbolo: O Cálice


O Cálice é uma ferramenta essencial utilizada na Magia Ritual, representando o elemento água, a receptividade, a energia feminina e a forma.
Na Missa Católica, o Cálice é o recipiente onde se dá a transubstanciação pela qual o vinho é transformado no Sangue de Deus, ritual que teve origem na tradição hebraica de Kiddush, o qual representa a presença de Deus durante o Sabbat Judeu e na Páscoa dos Judeus.
è Ponte com ‘Noite da Alma’: O Mari começa a mudar e a tornar-me mais receptiva ao novo mundo que a rodeia.



* Capítulo Décimo
- Símbolo: Hexagrama Unicursal


Este símbolo foi criado com o propósito de desenhar uma figura num único movimento, tal como acontece com outros polígonos mágicos, como é o caso do pentagrama.
O Hexagrama Unicursal foi adoptado e estilizado por Aleister Crowley, no início do século XX, sendo uma derivação do hexagrama habitualmente conhecido como “Estrela de David”. Simboliza o princípio oculto da balança em que o que está em cima é idêntico ao que está em baixo, a imparcialidade e o movimento contínuo. Simboliza ainda a União Divina.
è Ponte com ‘Noite da Alma’: Embora em busca do equilíbrio, o movimento não cessa e os acontecimentos sucedem-se.


Continua...

Sophia C.*



sábado, 14 de janeiro de 2012

O Sagrado em Avalon



O Sagrado em Avalon


   
      Glastonbury (Somerset, em Inglaterra) é uma cidade que parou no tempo.

    Considerada uma cidade sagrada, é ponto de peregrinação desde a Idade Média, por constar que foi ali, num Poço Místico, que José de Arimateia, escondeu o Santo Graal, ou o Cálice da Última Ceia de Cristo. É também a Avalon das lendas Arturianas, onde consta que, na Abadia de Glastonbury, um monge encontrou o túmulo do Rei Artur e de sua Rainha, Guinevere, o qual permaneceu no interior da Abadia até à Reforma Religiosa da Inglaterra, quando todos os conventos e monastérios foram encerrados por ordem do Rei.

   Sendo um local turístico, a maioria das pessoas chega a Glastonbury inseridas em excursões. Outras, mais aventureiras, através de mapas e do tão conhecido GPS.

    A chegada à cidade é sempre acompanhada de elevados níveis de expectativa e curiosidade. Os panfletos, recolhidos com antecedência no último ponto turístico, provavelmente em Bristol ou em Bath, acumulam-se no banco de trás do carro alugado, sendo que os pontos-chave assinalados são, como não poderia deixar de ser, a Abadia, o Monte Tor e os Jardins do Chalice Well (Poço do Cálice).

     Imediatamente percebe-se que aquela não é uma cidade comum…

   Relativamente pequena e acolhedora, a rua principal dá entrada para a Abadia, a sua perpendicular polvilha-se de pequenas lojas e, na praça resultante da união das duas, pequenos cafés convidam ao descanso. No entanto a atmosfera é única.


    Nas vitrinas das lojas vêm-se livros sobre Magia, Astrologia, Tarot e Terapias Alternativas. Pêndulos, pedras semi-preciosas e cristais brilham ao serem tocados pela luz do sol. As lojas esotéricas e os restaurantes vegetarianos dominam o comércio. O aroma dos incensos espalha-se pelas ruas e as pessoas sorriem amigavelmente quando se cruzam, mesmo sem se conhecerem.

    Ali, as crenças misturam-se sem preconceitos. Pagãos e cristãos moram lado a lado, frequentam os mesmos locais de culto e respeitam-se mutuamente, numa perspectiva de Amor Universal. Hippies, Padres, Magos e Sacerdotisas percorrem as ruas dentro do espírito fraterno que todas as crenças apregoam e que parece ser tão difícil de pôr em prática.

    O primeiro ponto de paragem é a Abadia de Glastonbury, a primeira igreja cristã nas Ilhas Britânicas, onde, nas criptas deste local místico, o coro da Igreja, trajando as suas túnicas pretas, vermelhas e brancas, ergue as suas vozes em hinos de glória em nome do Senhor.


    De seguida segue-se o monte Tor, uma colina com acesso em espiral que data do neolítico, no topo do qual se encontra a Torre de São Miguel, a única coisa que resta da antiga igreja com o mesmo nome, construída no século XII. Este é um local antigo e ancestral, ponto de culto dos povos pagãos e, segundo a tradição, um Portal para o Outro Mundo, cujo senhor é Gwynn ap Nud.


    Nos relvados que rodeiam a Torre de São Miguel, grupos juntam-se em meditação, contemplação e oração. E, ao pôr-do-sol, os rituais de despedida do dia que termina e de acolhimento à noite que se inicia, ecoam por este lugar sagrado.


    No interior desta Torre, o Aspirante, ainda inconsciente da sua posição, recebe o primeiro sinal que lhe indica que algo está prestes a mudar. Eis se não quando, inesperadamente, insolitamente, das alturas que o rodeiam, cai mesmo a seu lado um pequeno coração de pedra, de laivos brilhantes.


    Perscrutando as muralhas antigas, o improvável, para não dizer impossível, torna-se real. E aquilo que não tem justificação racional deve ser aceite, e integrado, e reconhecido com Gratidão.


     Com o dia a terminar a cidade adormece. Porque aqui não há horas de trabalho pela noite dentro. Aqui respeitam-se os ritmos da natureza, e os ritmos do Homem, que necessita de tempo para si, para a sua família e para a espiritualidade.

     O amanhecer também é tardio, pois há que dar graças pelo dia que se inicia, seja rezando uma Ave Maria, ardendo um pau de incenso, meditando ou agradecendo a vida que Gaia alimenta e suporta sobre a sua imensa superfície.

     As lojinhas, essas, são encantadoras. O sonho de qualquer um, que trilhe os mundos da espiritualidade. E eis se não quando, ao explorar um pouco melhor a cidade, ao passar sob uma arcada pintada por algum artista desconhecido, numa pracinha com a estátua de um Buda de um lado e a de uma Donzela do outro, encontra-se um Templo Perdido.

    A curiosidade que alimenta os passos, à medida que se sobe as escadas, é rapidamente substituída por uma profunda sensação de Reverência. Ali, naquele cantinho afastado do trânsito diário de turistas, a Vibração é intensa, quase palpável.

    Os sapatos ficam do lado de fora e, de porta aberta, o pequeno Templo convida todos os que ali chegam a entrar e a parar, por instantes, para desfrutar do Silêncio e de um momento de Encontro único com o Eu e com as Energias do Cosmos. À esquerda, um Círculo formado por suaves panos de seda, recebe no seu abraço aqueles que vêm necessitados de Cura. À direita, num pequeno altar, decorado com espigas e flores, ardem algumas velas. O semi-circulo que o rodeia é formado por almofadas e, sentadas aqui e ali, pessoas de todas as Raças meditam e oram.

    Este é o Templo da Deusa, da Mãe, da Energia Feminina Criadora, de Gaia na Visão daquela-que-suporta-a-Vida. Aqui não existem imagens, nem ícones. A Divindade não tem nome, nem rosto. É Energia Pura; a Energia que nos rodeia e que nos habita. A mesma que nunca se perde, apenas se transforma, adoptando outras formas. Aqui, o Abraço da Mãe é sentido, amado e agradecido. Aqui todos são Filhos, e todos são Pais, e todos são Deuses. Indiscutivelmente, a conexão encontra-se presente. Neste ponto de Oração a expressão máxima de Glastonbury é ainda mais intensa, mais sentida e, por esse motivo, melhor compreendida. A sincronia deixa o Coração aos saltos, exultante, no reconhecimento de quem, inesperadamente, se vê de volta a Casa. Aqui a Onda Vibratória é a mesma e a linha lúminica que une este ponto Sagrado a um outro, em Lis-Fátima, Portugal, é absoluto, claro e inegável. Quase como se aqui se encontrasse a expressão, no Mundo Físico, do que é guardado nos planos sublimes de Lis. A Mãe encontra-se presente, não só no ar que se respira, mas também nos Corações daqueles que oram naquele lugar.

   Em Contemplação, em Exaltação, o Aspirante inconsciente mal se apercebe da Irmã que ocupou o lugar a seu lado. E por isso, é com surpresa que se vê abordado por esta mulher de cabelos compridos e claros. A partilha é imediata, e muito para além de palavras. A voz que fala é de coração para coração, de Alma para Alma. E assim o planeado foge ao controlo, e o que deveria ser apenas um passeio turístico transforma-se num Curso Sacerdotal e numa Iniciação. O convite é directo, frontal e irrecusável. O reconhecimento também. Os olhos sábios que observam o Aspirante reconhecem nele outras Iniciações Etéricas, e a Dama do Lago é a mesma, quer ali, quer em Portugal. Sem serem necessárias apresentações ou conversas sobre o quotidiano, o conhecimento existe, como se de Irmãs reencontradas se tratassem. Há uma Ligação Superior reconhecida, tanto entre Almas, como entre Vibrações e Centros Superiores. Acima de tudo, há uma Ponte a ser estabelecida. Um regresso à Origem. Uma União de duas partes que, nos Mundos Invisíveis, sempre foram apenas Uma.

   Os Ensinamentos partilhados ao longo dos dias seguintes são de simplicidade, harmonia, conexão suprema com o Universo, mas também, e em especial, com o pequeno que nos rodeia. A Mãe que nos suporta e dá vida também respira, e fala, e ama. Há que redescobrir os Sentidos que permitem ao Homem entrar em sintonia com aquela que, mesmo sem pedir nada em troca, nos envolve e nos abraça, como o Sorriso doce e maternal de Maria. O Conhecimento em si é Ancestral e, de certa forma, lógico, mas, infelizmente, esquecido. Há que reaprender a ser Uno com o Mundo, a compreender e a respeitar os seus ritmos, pois só assim é possível eliminar o atrito e o ruído que nos mantém presos à densidade material que abafa a Luz do Espírito. Aqui sabe-se que a Evolução do Homem passa pelo Amar daqueles que são menores e, aparentemente, insignificantes, e não apenas pela Devoção ao Supremo Criador, ou da Aspiração a níveis de Consciência mais elevados. Porque uma Alma Evoluída jamais negaria o Manto que a acolhe, jamais o ignoraria ou destruiria. E porque ao compreender os Ritmos do Mundo que o rodeia, o Homem passa a compreender os seus próprios Ritmos e os dos seus Irmãos. Somos todos Um, células vivas de um mesmo Organismo, e esta é a Mensagem que deve ser passada e vivida a todos os Filhos de Lis. Não são necessárias grandes Palavras de Sabedoria, nem Templos grandiosos ou Comunidades Espirituais. Tudo o que é preciso é Ver, e não apenas olhar, Sentir, Compreender e Respeitar, vivendo em Harmonia e respirando com a Natureza.

   Embora restasse a sensação de que havia muito mais a aprender, ao Aspirante, agora Iniciado, é ofertado um doce sorriso. Na verdade, não há muito mais a ser dito. Este é um Conhecimento que se encontra impresso no ADN ancestral. Tudo o que é necessário é despertar a Consciência para a sua existência, como quem acende a ponta de um rastilho interminável. Agora, o Iniciado deverá regressar a casa, portando a outra margem da Ponte de Luz que foi criada, a expressão da Ponte Etérica que já existia; levando um pouco de Avalon consigo e deixando, em seu lugar, um pouco de Lis.

   Na despedida é convidado para uma peregrinação silenciosa pelos Jardins Sagrados do Chalice Well. Local de Cura, Silencio e Meditação, aqui encontra-se a fonte inesgotável de água vermelha, cujas propriedades de cura têm atraído viajantes desde os tempos do neolítico.


    Caminhando com os pés mergulhados nesta Nascente Sagrada, a Gratidão é profunda e a certeza da Perfeição Sublime da Geometria do Mundo avassaladora. A água pode ser bebida e levada, sendo uma Dádiva Divina, e o som cantante das suas cascatas é uma Melodia pura e cristalina.


    É junto ao Poço Sagrado, cuja fonte brotou depois de José de Aremateia ali ter enterrado o Santo Graal, que as Sacerdotisas Irmãs se juntam, de mãos dadas, sob as árvores consagradas e sob a maior dádiva dos céus à terra, a chuva. Duas das suas Irmãs preparam-se para regressar a casa e, embora os momentos que partilharam tenham sido breves, o Elo é real e palpável. Além disso, o espaço e a distância nada dizem nem ao Coração nem à Alma. E a Vida é como o Mar, traz e leva e volta a trazer, consoante as marés do Destino.

Poço Sagrado

    Como que para o comprovar, e uma vez mais inesperadamente, duas ofertas foram preparadas. Um medalhão com o símbolo que guarda a cobertura do Poço Sagrado, o Vesica Piscis, que representa a união do Mundo Espiritual com um Mundo Material, no centro do qual se encontra o Homem. E um anel dourado com o símbolo da Flor-de-Lis, em nome da Ponte estabelecida, e o qual surge aqui e ali, por toda a cidade, em azulejos e pinturas antigas, representando a Mãe, tal como foi adoptado por Garcia IV, Rei de Navarra, que o passou a usar como símbolo do seu reinado, após ter sido curado de uma grave doença depois de ter tido uma visão da Nossa Senhora desenhada no fundo de um lírio.

   E assim o fim de um Ciclo marca o início de outro. Para trás fica Glastonbury e as suas lojinhas, Avalon e as suas Brumas e Mistérios, e a Ilha Sagrada, agora uma nova casa, onde Irmãs de Tempos Imemoráveis aguardam um novo Regresso.


Sophia C.*

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Entrevista a Sophia CarPerSanti - Escritora Portuguesa


Entrevista a Sophia CarPerSanti - Escritora Portuguesa



--> BLOG MORRIGHAN'


Boa tarde! Hoje apresento-vos mais uma escritora portuguesa que lançou há pouco tempo o seu primeiro livro - Noite da Alma. Conheçam a Sophia CarPerSanti!



Fala-nos um pouco sobre ti:
A maioria das pessoas que me conhece diz que sou meia extra-terrestre. :)
Os meus interesses pessoais abrangem mais áreas do que seria possível explorar numa vida inteira, o que faz com que me sinta, muitas vezes, incompleta ou insatisfeita.
O tempo nunca me chega para tudo o que gostaria de fazer, e por isso já fiz muitas coisas que depois tive de deixar, para dar lugar a outras. Gosto especialmente de aprender línguas invulgares, como o japonês, praticar desporto (tudo menos futebol >_>) e vibro com praticamente todas as actividades que envolvam música.
Nos meus tempos livres gosto de viajar, desenhar, pintar (especialmente a óleo), fazer artesanato e, claro, ler (sou uma leitora compulsiva desde pequena). No entanto, o que me dá mais prazer é, sem sombra de dúvida, escrever. Adoro mergulhar nos mundos que crio e deixar-me surpreender pelas coisas fantásticas e surpreendentes que vejo desenrolarem-se à minha frente. É a escrever que me sinto verdadeiramente realizada e a única coisa que lamento é, por vezes, faltarem-me as palavras adequadas para passar para o papel as coisas maravilhosas que acontecem, nesses outros lugares distantes.


Qual o teu estilo e ritmo de escrita:
O meu ritmo de escrita... Ora aí está uma pergunta que nunca me tinham feito.
Bem, em primeiro lugar surge a ideia, a qual pode assaltar-me nos momentos mais inesperados. Contudo, tenho vindo a reparar, que o banho, é um momento bastante propício para este tipo de... iluminação. :)
A partir do momento em que a ideia se instala no meu cérebro tenho obrigatoriamente de me agarrar a qualquer coisa que escreva. E, quando digo obrigatoriamente, é porque é mesmo assim. Estas ideias súbitas são coisinhas bem prepotentes... e se não lhes dou voz começo, verdadeiramente, a ficar meio maluca. 
É então que começo a escrever. Se tiver tempo disponível para isso, escrevo desde que acordo até que me deito e, no espaço de 2 meses, tenho um livro escrito. Infelizmente, isso só é possível quando estou de férias. Por isso, lá carrego com o computador para onde quer que vá, de modo a aproveitar todos os tempinhos que consiga arranjar durante o dia. Como fico meio obcecada com a história, mesmo quando não estou a escrever o meu cérebro está sempre a construir cenas e a repeti-las na minha cabeça, ao ponto de acabar por sonhar com os meus personagens. No entanto, quando as passo para o computador, acabam sempre por acontecer coisas inesperadas e, quando dou conta, até escrevi cenas que não estavam nada planeadas. :) Daí que escrever seja, para mim, uma aventura tão interessante e cativante.
Enquanto escrevo, vou fazendo anotações à parte, com características, nomes, datas, linhas temporais e calendários, para não me perder no tempo. Quando estou a escrever Fantasia, crio mapas, dicionários de outras línguas e desenho edifícios, como palácios e torres de magia. Cheguei, inclusive, a desenhar e a pintar muitos dos meus personagens.
Quando a história finalmente chega ao fim, inicia-se o processo mais demorado e, na minha opinião, mais cansativo: ler, rever e cortar. Revejo os meus manuscritos muitas vezes, pelo que levo mais tempo nesta fase do que na fase de criação, propriamente dita.
Quanto ao estilo… só escrevo Fantasia e Ficção. Adoro livros complexos, que misturem muitos acontecimentos ao mesmo tempo, pelo que tive de aprender a controlar um pouco a tendência para complicar as minhas histórias. Isto porque histórias complexas resultam, em geral, em manuscritos demasiado extensos e que acabam por cansar a maioria das pessoas.
Comecei por escrever Poesia. Depois, quando passei para a Prosa, escrevi Fantasia Épica, e, ultimamente, tenho escrito Romances Sobrenaturais. No entanto, todos os meus livros têm de ter, obrigatoriamente, magia, romance e uma certa pitada de drama.


Quais as tuas influências:
A minha maior influência foi Tolkien. Li o Senhor dos Anéis quando tinha 13 anos, numa altura em que os livros de Fantasia, em Portugal, ainda eram escassos. Nesse momento, foi como se, de repente, tivesse descoberto um mundo novo. Li e reli aqueles 3 livros mais vezes do que sou capaz de me recordar. Ao ponto de chegar mesmo a criar um dicionário de Quenya e Sindarin. :) E talvez por isso, as minhas primeiras aventuras no mundo da escrita tenham seguido um pouco o estilo Épico.
A colecção ‘Gaea’, no entanto, já foge bastante a esse registo e, para além de, como é óbvio, ter sofrido a influência dos muitos livros que li, tem como base as minhas explorações no mundo do Oculto. Nele misturam-se conceitos como a Reencarnação, a Evolução das Almas Humanas, a existência de Dimensões Paralelas, e a visão da Terra como um Ser Vivo, com um corpo e uma vontade própria, infelizmente incompreensível para nós: Gaia ou Gaea. Mistura ainda outras áreas que gosto de explorar, como a Religião, a Mitologia, as Artes Divinatórias e, por último, a Magia, a qual estudei a fundo, nas suas diferentes vertentes.


O que te levou a escrever na área do sobrenatural?
Como já disse, os primeiros manuscritos que desenvolvi são do estilo Fantasia Épica. No entanto, o mundo em que a história se desenrola é, claramente, fictício, ou pelo menos, impossível de existir no nosso mundo. O mesmo já não acontece com livros como ‘Noite da Alma’.
O sobrenatural tem um potencial de realidade que me agrada bastante, deixando-nos sempre com aquela sensação de que, se calhar, algures no nosso mundo, aqueles seres até existem. :) Quem sabe…? Os livros que escrevo estão classificados como Fantasia. Eu mesma admito que criei aqueles personagens e aquelas dimensões. Mas talvez haja algo de verdade, no meio da ficção. Até pode ser que tudo aquilo seja verdade, mas que o segredo tenha de ser mantido… Aliás, a Lex Regis diz claramente que os Humanos não podem ter conhecimento da existência destes outros seres, sob risco de a sua presença, entre nós, poder influenciar a nossa Evolução; como aliás aconteceu no Passado, no tempo em que aqueles a quem chamamos deuses ainda interagiam directamente com o mundo humano.
A possibilidade de esta sombra de dúvida poder existir é exactamente o que me levou a escrever na área do sobrenatural. :)


Como foi o caminho até à publicação deste teu primeiro romance? Tiveste muitas dificuldades em publicar? Fala-nos um pouco sobre este processo.
Dificuldades… muitas. Aliás, basta ver que ‘Noite da Alma’ foi escrito em 2008 e só agora foi editado. E não, não esteve fechado na gaveta à espera que me enchesse de coragem para o enviar para as Editoras.
Ao contrário dos meus outros livros, escrevi ‘Noite da Alma’ para ser publicado, e foi o que tentei fazer nestes últimos 3 anos. Não vou mentir. Recebi muitas recusas e ainda mais silêncios, de editoras que nunca chegaram a responder-me. Editar um livro em Portugal é muito difícil, principalmente se não se é conhecido. E o meu livro tem, logo à partida, uma grande desvantagem: é muito extenso, o que implica um investimento de edição relativamente elevado, para um livro que ninguém tem a certeza de vir a vingar, no mercado livreiro.
Depois de muitas recusas, em 2010, resolvi fazer uma edição de autor. Era isso ou colocar o manuscrito online, para download gratuito. Comecei a informar-me acerca de preços, disposta a investir neste sonho. No entanto, o maior problema de uma edição de autor é a distribuição e, mesmo as distribuidoras que aceitam livros sem a chancela de uma editora são consideravelmente caras e não nos garantem uma distribuição nacional.
Foi então que me falaram de uma editora e da possibilidade de uma co-edição. Como estava, à partida, disposta a investir neste projecto, aceitei. Nada correu como devia. Os prazos não foram cumpridos e, em Junho de 2011, o livro, que devia ter sido editado em Março, ainda não tinha saído. Não obstante, começaram a surgir outras exigências, as quais me desagradaram bastante. Por isso, a edição foi suspensa e regressei à ideia inicial de fazer uma edição de autor. Contudo, antes de partir para essa solução, resolvi tentar uma vez mais que o manuscrito fosse aceite pelas editoras.
Por incrível que pareça, no meio de tantos envios, nunca tinha batido à porta da Chiado Editora. Daí que mal pude acreditar quando recebi um e-mail a dizer que, depois de terem realizado a análise literária e comercial da minha obra, tinham uma proposta de edição a apresentar-me. O que levara quase 1 ano a ser feito pela outra editora, e nunca chegou a ser concluído, foi despachado em coisa de meses e, finalmente, ‘Noite da Alma’ foi lançado no dia 17 de Dezembro. :)


Tens tido feedback dos teus leitores? Como é que gostas de interagir com eles?
Tenho tido feedbacks, sim. Na maioria, e para minha alegria, bastante positivos. É claro que há quem se queixe da extensão do livro, que tem cerca de 760 páginas, mas isso já era de esperar. Tenho perfeita consciência de que escrevo demais e de que tenho dificuldade em ser sintética. :) Por outro lado, os devoradores de livros, dizem-me que 760 páginas é muito bom e até já me perguntam pelo segundo volume. ^_^ Para falar a verdade, tenho tido muito mais opiniões positivas do que esperei. É claro que acho o meu livro interessante (ou não o teria escrito) mas quando me dizem coisas como “é viciante” fico mesmo muito satisfeita.
Na interacção com os meus leitores… Se possível, gosto de interagir directamente com eles, de falar e ouvir opiniões, tanto positivas como negativas e, em especial, se forem construtivas. Sei que agora sou ‘a escritora’ mas sinto-me mais como se fosse mais uma leitora. Aliás, foi por gostar tanto de ler que, um dia, me passou pela cabeça a ideia maluca de tentar escrever, também. Por isso, não me importo nada de discutir o meu livro com quem o leu, mesmo que o leitor nem tenha gostado por aí além do que escrevi. Penso que os livros são como as obras de arte: há quem deteste, quem lhes seja indiferente, quem goste, e quem os sinta de forma diferente, como se determinado livro falasse directamente connosco.
Projectos Futuros:
Escrever!! :) Isso é algo que jamais poderei deixar de fazer, mesmo que não edite mais nenhuma obra. Aliás, é por isso mesmo que já existem mais 2 livros escritos, dentro da colecção ‘Gaea’, isto para não falar dos 4 manuscritos de Fantasia Épica que se enquadram na colecção ‘A Gema de Ominium’. Mesmo com todas as recusas da parte das editoras, não fui capaz de deixar de escrever, e continuei a produzir.
De momento, encontro-me a escrever ‘Sombra Branca’, da colecção ‘Gaea’ e por isso, como é óbvio, um dos meus projectos futuros é terminar esta obra (o que tem sido difícil de conseguir, uma vez que me encontro a concluir o Mestrado Integrado em Psicologia e as obrigações estudantis roubam-me muito tempo).
Outro projecto será a edição de ‘Tempo da Alma’, o segundo livro desta colecção.


Onde é que os teus leitores de podem encontrar? (online)
A forma mais directa é, provavelmente, via e-mail (sophia.carpersanti@gmail.com) ou no Facebook (http://www.facebook.com/sophia.carpersanti).
Existe ainda o Site Oficial (http://carpersanti.net/Gaea/) e o meu Blog (http://sophia-carpersanti.blogspot.com/)
A minha vertente mais artística anda por aqui: http://silvareiel.deviantart.com/
De resto, encontro-me ligada às seguintes Redes Sociais:
Twiter: https://twitter.com/#!/carpersanti
Google+: https://plus.google.com/u/0/102638817506482515972/posts
Linkedin: http://www.linkedin.com/profile/edit?trk=hb_tab_pro_top
Myspace: http://www.myspace.com/516044891

E a pergunta da praxe: o que achas do blog Morrighan?
Adoro este blog! Para falar a verdade, já aqui tinha vindo parar noutras ocasiões, há cerca de 2 anos, atraída pelos artigos sobre Druidismo e sobre as Celebrações Pagãs. Para falar a verdade, nessa altura, a vertente mais literária deste simpático espaço passou-me completamente despercebida. Quando navego na internet, numa das minhas pesquisas, centro-me bastante no que quero encontrar. Mas recordo-me de ter passado horas a ler posts e de achar que, finalmente, tinha encontrado um site português, rico e rigoroso, sobre estes assuntos. Foi através do Facebook que me apercebi de que havia muito mais a dizer sobre o ‘blog Moorrighan’ e, desde então, tenho seguido atentamente todos os updates. Gosto especialmente da variedade de obras e de autores que são apresentados e, em especial, da forma clara e cativante com que todos os artigos são escritos.



A sua Obra:
Sinopse: "Duvido de mim mesma e de todos os meus sentidos. No entanto, a realidade que me rodeia é inegável, e sou incapaz de deixar de o sentir em todos os lugares, a todo o instante."

E se... num passo de Magia, fosse possível evocar um ser de outra dimensão capaz de realizar o mais profundo dos nossos desejos?

"Se ao menos fosse assim tão fácil... pessoas como eu jamais teriam de passar pela vergonha e pela dor que tivera de passar, naquela manhã", pensou Mari, enquanto folheava o estranho e pesado livro de encantamentos e fórmulas mágicas. E no entanto, um portal aberto é sempre uma passagem, e ninguém pode controlar quem, ou o que poderá passar por essa porta...
"E assim o meu mundo, permanentemente imóvel e suspenso no espaço e no tempo, caiu da Roda do Destino e tombou nas águas tempestuosas de mares desconhecidos."
Irremediavelmente atraída pela Luz que a protege... e fatalmente fascinada pelas Trevas que a rodeiam, Mari luta desesperadamente por resistir ao turbilhão que a ameaça engolir a qualquer momento. Enredada na dualidade do Destino, vê-se frente a uma batalha pela sobrevivência, ao encontro do desejo mais simples e mais almejado de toda a Humanidade: ser feliz.


Obrigada pela disponibilidade e simpatia Sophia!