Magia e Religião: De Mãos Dadas
Tempos houve em que a Religião e a Magia se encontravam fundidas, significando uma e a mesma coisa. O Sacerdote ou o Xamã era tanto o Mago que manipulava as forças da natureza, como o curandeiro e o líder espiritual, que orientava a comunidade onde se encontrava integrado.
Actualmente encontra-se estabelecida uma barreira cognitiva entre a visão que se tem da Magia e da Religião, pelo que a primeira tem tendência a ser menosprezada ou criticada, e a segunda a ser aceite com naturalidade, sendo que é considerado normal uma pessoa seguir uma Doutrina ou uma Fé, mas uma ida à bruxa ou a prática de um Ritual Mágico é algo que só se confessa em segredo, timidamente e por entre amigos.
Mas até que ponto é que estes dois aspectos da Crença Humana são assim tão distintos?


Por esse motivo, as práticas Mágicas tinham como base a execução de rituais e cerimónias, que procuravam estabelecer o contacto com os aspectos ocultos do Universo e da Divindade.

Outra das práticas mágicas mais antigas praticadas prende-se com os rituais fúnebres e o desenvolvimento dos sistemas mitológicos divinos, através da nomeação das forças da Natureza (Apolo, o Sol; Neptuno, os Mares; Artémis, a Lua, etc…)´



Observa-se, assim, que, ao contrário do que a maioria afirma, a ponte entre a Magia e a Religião mantém-se, mesmo na actualidade, pelo que até os Escritos Sagrados de algumas das grandes Religiões do mundo não a negam, e até incluem a presença de Magos.

Nos Vedas, no Bhagavad Gita, no Alcorão e em diversos textos sagrados, verificam-se relatos semelhantes.
As actividades ritualistas praticadas pelas Religiões também preservam grande parte dos Rituais Mágicos dos povos antigos. A Hóstia Sagrada da Eucaristia é tomada pelo Espírito Santo, assemelhando-se a incorporação dos médiuns espíritas.
De igual modo, nas antigas festas romanas dadas em honra da deusa Ceres, o Arval, assistente do Grande Sacerdote, vestido de branco imaculado, colocava sobre a Hóstia (a oferenda do sacrifício) um bolo de trigo, água e vinho; provava o vinho e dava-o a provar aos presentes. A Oblação (ou oferenda) era então erguida pelo Grande Sacerdote.
Num paralelismo simbólico, os padres da Igreja moderna repetem muitos destes gestos durante a celebração da Eucaristia. Erguem e oferecem o pão para a consagração, benzem a água que deve ser posta no cálice, misturam o vinho que é partilhado com os restantes Sacerdotes, incensam o altar, etc.
Nos rituais da Antiguidade, o Grande Sacerdote dava três voltas ao altar, levando as oferendas, erguendo, acima da cabeça, o cálice coberto com a extremidade da sua estola feita de lã de cordeiro, branca como a neve.

Os antigos acreditavam no poder dos Homens, e que através da Magia seriam capazes de comandar os deuses. Estes deuses são, na verdade, os poderes ocultos e latentes da Natureza. Actualmente, os crentes não têm a intenção directa de comandar Deus, mas negoceiam com Ele, fazendo pedidos em troca de pagamentos, a que denominam de Promessas: ‘Se o Senhor me conceder isto, juro que farei aquilo. Se não, nada feito.’
No fundo, poderia dizer-se que nos encontramos perante um Ritual de Magia, onde é necessário juntar uma série de ingredientes e orações para que o acto/milagre se realize, com a diferença de que as oferendas e sacrifícios só são feitas após o milagre e não antes, como os antigos faziam, como forma de agradar os deuses e assim cair na sua boa graça.


- Sophia C.*